quarta-feira, 12 de novembro de 2008

8

Primeiro sabia-me bem quando não estavas: era o leve desprendimento de uma intima liberdade que se sentia dentro da testa e no fundo da barriga indo, às vezes, até ao sexo. Sabia-me bem o não estar contigo, com tuas coisas; os teus costumes. Sabia-me tão bem aquele estar apenas vazio, de cabelos lentos soltos ao vento de inverno das esplanadas de rua, onde me entretinha no jogo perigoso de lançar a imaginação fértil aos campos do desejo de dias mais quentes e felizes. Larguei-te lentamente, pelo sabor da doçura de um espaço que ficou tão grande e despojado para que ele inesperadamente ali pudesse entrar, conquistar e ficar.
Lutei. Lutei por ti. Só deus sabe quantas vezes repeti o teu nome, nos meus pensamentos, para que em mim ficasses gravado e o dentro do meu corpo e alma voltasse a ser apenas o teu e meu único lugar. Mas nenhuma nota, em cada um desses sons, ficava acima da força magnética daquela imagem dele com um café na mão e um sorriso desprendido a descer a rua entre os meus olhos o meu ombro e o meu corpo.
Um sorriso é sempre um som mais alto que qualquer escorrer de lágrima.

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